CEAP – Centro Espírita Antônio de Pádua

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A Família – por Hugo Koller

Publicado por ceapbr em Setembro 8, 2008

A Família é o instituto primário da caridade. É justamente ali que tudo começa, depois de nós.
Os juristas definem a Família como sendo a célula mater da sociedade.

A sociedade é a parte visível, é a humanidade encarnada, como um todo.

A Família, M.I. é coisa muito mais ampla no conceito espiritual.
Existem, na verdade, duas espécies de Famílias; As Famílias pelos laços espirituais e as Famílias pelos laços corporais.

As Famílias espirituais se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos espíritos através das várias migrações da alma: As Famílias corporais são frágeis como a matéria, melas se extinguem com o tempo e muitas vezes se dissolvem moralmente muito cedo, muito antes de cumprirem suas tarefas aqui na Terra.
As nossas provas evolutivas se desenvolvem no nosso meio, seja no lar, nas amizades, nas vizinhanças, no trabalho e por onde andarmos.
É muito fácil alcançar o sossego fora do lar, alcançar a paz material e física fora de casa.

Fora do lar, é fácil suportar o agressor desconhecido porque dificilmente iremos cruzar com ele novamente.

É fácil amparar o doente caído na rua o qual não irá nos vincular em qualquer compromisso direto e constante.

Mas, na nossa Família, no nosso lar, na nossa casa somos convocados e chamados ao exercício da assistência constante.

Mas é aí, no reduto doméstico, por traz das paredes que nos isolam do aplauso público, que a Providência Divina nos experimenta a madureza mental ou o proveito dos bons conselhos que nos foram ministrados.
A luta em Família é trabalho fundamental na redenção do homem na Terra.

Como poderemos nos transformar em benfeitores ou comandar cem ou mil pessoas, se ainda não aprendemos a servir cinco ou dez criaturas. É impossível auxiliar o mundo, quando ainda não conseguimos ser úteis nem mesmo a uma casa pequena, aquela que a Vontade do Pai nos situou a título precário e transitório.
Quantas vezes sentimos vontade de largar tudo, como se diz popularmente, “de chutar tudo para o alto”, e partir em busca daquilo que ensejamos para a nossa paz, para o nosso sossego e para a nossa tranqüilidade.
Nós ansiamos por uma vida fácil sem dificuldades, queremos conviver com entidades superiores, sonhamos com a posse de dons iluminados, suspiramos pela ascensão e crescimento espiritual.

Mas para isso, devemos contemplar e viver intensa e profundamente o espaço estreito e difícil que nos serve de moradia e nos lembrar das crianças na escola. A vida é uma escola e nós também somos mestres, mestres daqueles que nosso Criador nos confiou.
Em cada companheiro que partilha a nossa consangüinidade nós temos um verdadeiro livro de lições que às vezes nos prendem e dificultam a nossa caminhada por longo tempo, porque exigem de nós um grande esforço em repetir muitas vezes os nossos cuidados. Mas, reflitamos, porque cada um deles nos conduz a desenvolver em nós determinadas virtudes que ainda não temos; num, desenvolvemos a paciência, no outro a lealdade, num terceiro o equilíbrio, a abnegação, a firmeza, a brandura e por aí afora.
Não M.I., não vamos fugir da fervente luta em que a vida nos colocou sob o telhado que respiramos. Ainda mesmo, sabendo do sacrifício, do alto preço de todos os valores da nossa existência física. Vamos refazer e repetir milhares de vezes as nossas demonstrações de humildade e de serviço perante as criaturas que nos cercam, que convivem conosco.

Vamos ostentar o título de pai ou de mãe, de espôso e de espôsa, de filho e de irmão, porque é justamente da nossa vitória moral junto deles que depende a nossa admissão definitiva entre os amados que nos esperam, nas vanguardas da luz, na perpetuação de alegrias na Família Maior, na nossa verdadeira Família, na nossa Família Espiritual, pois somos na verdade, filhos de um só Pai, somos um só rebanho e temos um só Pastor, Jesus de Nazaré.

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