Fonte: O Diário Mogi das Cruzes (impresso) – Cidades pág. 7 – 05/08/2008
Vagas Disputadas – Entidade fundada pelo Centro Espírita Antônio de Pádua atende 225 crianças e mantém fila de espera.
A Creche Fraternidade Antônio de Pádua, uma das mais tradicionais da Cidade, atende hoje 225 crianças e ainda mantém uma lista de espera com uma centena de nomes. Por causa da grande demanda, a subvenção da Prefeitura e o auxílio de terceiros não são suficientes para suprir os gastos mensais. As maiores despesas são com a pópria manutenção, como contas de luz, água, telefone e funcionários. Já o prédio, localizado na Rua Marechal Deodoro, 83, Centro, pertence ao Centro Espírita Antônio de Pádua, mantenedor da instituição desde a fundação há 37 anos.
Nenhum projeto foi elaborado especificamente para angariar recursos, porém, a direção da creche está em constante contato com os pais e comunidade solicitando ajuda dos mesmos. “Nao pedimos só dinheiro. Os que podem, até colaboram, mas o nosso objetivo é que eles tragam doações de familiares, amirgos, colegas de trabalho. Pode ser roupas, brinquedos, sapatos, tanto de crianças como adultos, pois temos um Bazar Beneficente (Rua Senador Dantas, 228, Centro) mantido pelo Centro Espírita que reverte a verba das vendas para a creche”, explica Ana Cristina Porto Marins, diretora pedagógica da creche à quatro anos.
Cumprir as exigências dos órgãos fiscalizadores para obter alvarás de funcionamento também não tem sido tarefa fácil. Só neste ano, a entidade gastou R$ 18,5 mil com a compra de extintores de incêndio, reforma no sistema hidráulico e adesivos informativos sobre saídas de emergência. “Entendemos perfeitamente a importância em cumprir as regras, mas como a verba é limitada, sofremos para colocar a instituição em ordem. Aqui não podemos deixar faltar nada. Se a geladeira quebra, por exemplo, precisamos repor imediatamente”, relata a diretora.
Apesar das dificuldades financeiras, as 225 crianças assistidas pela entidade, usufruem de instalações bem cuidadas, com infra-estrutura básica, e recebem quatro refeições diárias. Os alunos com idades entre quatro meses a cinco anos permanecem no local durante todo o dia, das 7 às 18 horas.
“Temos infra-estrutura para atender as necessidades físicas e pedagógicas das crianças. Elas passam o dia todo brincando e aprendendo e aprendendo ao mesmo tempo”, diz Ana Cristina, que conta com uma equipe de mais de 40 profissionais. “Todos os funcionários são muito bem selecionados e desempenham suas funções de acordo com nossa metodologia”, enfatiza a diretora.
História
Fundado em 1911, o Centro Espírita Antônio de Pádua, sempre realizou ações beneficentes na Cidade. Em 1971, o então presidente Álvaro Campos Carneiro, já falecido, criou uma creche próxima à antiga Maternidade Mãe Pobre, onde hoje funciona o Hospital Mogi D’or. O objetivo era e ainda é de auxiliar mães carentes que precisam trabalhar. “A nossa missão é ajudar as pessoas que não têm condições e por isso algumas famílias da creche também recebem a nossa colaboração, como roupas, alimentos, remédios e uniformes”, afirma Alzira Urbano, presidente da entidade há seis anos.
Muitas das crianças assistidas hoje pela entidade são filhos de ex-alunos. Grande parte destes pais moram na região ou ainda trabalham nas proximidades. Segundo Ana Cristina, a tradição e a proximidade do Centro fazem da creche uma das mais procuradas na Cidade. “As pessoas conhecem o nosso trabalho e confiam. São mais de 30 anos. Eu mesma já trabalhei aqui na década de 80 e vejo pessoas que já passaram por aqui trazendo seus filhos. O segredo é o cuidado e respeito no tratar das crianças”, acredita ela.
Preocupação em formar cidadãos
Além de oferecer educação de qualidade, a Creche Fraternidade Antônio de Pádua se preocupa em formar cidadãos. Para tanto, e desenvolvido um projeto chamado “Valores”. Aplicado dentro e fora da sala de aula, a iniciativa estimula a boa convivência entre as crianças, noções de respeito, solidariedade e boas maneiras.
“É de suma importância plantar a semente destes valores nesta faixa etária. São lições que as crianças carregarão para sempre e poderão perpetuar. Ensinamos coisas simples, mas que fazem muita diferença na vida afora, como agradecer pelo alimento ofertado e pedir licença”, conta a diretora pedagógica da entidade, Ana Cristina Porto Marins.
Ela diz, no entanto, que para alcançar resultados positivos é preciso disciplina e fiscalização. Por isso foram criados cartazes chamados de “combinados”. Em uma cartolina as crianças escrevem ou desenham o que pode ou não ser feito em determinados espaços da instituição. No refeitório, por exemplo, os alunos de três anos sugeriram as seguintes regras: “Comer tudo direitinho” e “Não jogar nada no chão”. Uma criança é escolhida a cada dia para supervisionar as outras.
“Este trabalho tem funcionado muito bem. As professoras observam o que as crianças têm feito de errado e sentam com elas para mostrar que aquilo não pode. Então colocam no papel, como uma regra. quem cumpre é gratificado com adesivos de estrelas, por exemplo, em suas pastas de atividades”, comenta a diretora.
A proposta vem cada vez mais surtindo efeito. “Eu faço tudo que está no combinado, para poder brincar depois. Gosto muito de desenhar”, afirma a pequena Eduarda Cazarine, de três anos.
Além de “Valores”, toda a semana um novo projeto é desenvolvido com as crianças. Assim que elas encerram a atividade, uma exposição é organizada para mostrar o produto final aos pais e outros alunos da entidade. Até sexta-feira estão sendo mostrados no pátio interno da entidade brinquedos produzidos com material reciclável. Na próxima semana é a vez de releituras de obras de arte, “Essa é uma maneira de estimular o raciocínio, coordenação motora, sensibilidade e até mesmo para conhecermos a realidade de cada uma das crianças”, revela Ana Cristina, destacando um dos exercícios praticados: “Quando elas retratam o próprio quarto, inspiradas em uma obra do pintor holandês Vincent Van Gogh, “O Quarto”, percebemos o quanto algumas são carentes. Já vimos desenhos com vários colchões no chão e às vezes até a geladeira e fogão no mesmo espaço”, conta a diretora. Por este motivo, a direção da creche doa brinquedos, roupas, sapatos e cestas básicas para a família de 30 alunos carentes na atualidade.
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